Cultura

Videogame como manifestação artística

Por: Alison Negrinho

Em um mundo cada vez mais tecnológico, a designer e doutora em Artes Visuais pela Unicamp, Julia Stateri, lançou o livro digital “Videogames e arte: discussões sobre paradigmas e complexidades possíveis”. A publicação já está disponível nas principais plataformas de venda e leitura digital e resulta de uma série de pesquisas realizadas durante o doutorado da autora, sobre a produção e o consumo de videogames e arte. A publicação conta com o prefácio do professor do Instituto de Artes da Unicamp Edson do Prado Pfützenreuter.

O livro foi publicado pela Oficina Lúdica, empresa que atua desde 2010 na área de cultura, design e educação, especializada na área de jogo, e aborda de maneira geral o videogame, mostrando que se trata de uma mídia que pode ou não ser utilizada de forma artística, mas que o jogo, seja ele analógico ou digital, faz sim parte da cultura. A ideia da publicação ganhou força em 2013, quando a então ministra da Cultura, Marta Suplicy declarou que games não são cultura.

“Ela (Marta) fez aquele pronunciamento polêmico de que o Vale Cultura não poderia ser usado para jogos porque não era cultura e isso gerou uma grande revolta dos desenvolvedores, também de quem compra e aprecia jogos. Isso para nós foi surpreendente. A gente considera jogo como cultura desde 1930, e no caso dos videogames não seria diferente, só muda o meio analógico para o digital. Como eu estava fazendo essa pesquisa, achei bom ter surgido a discussão, porque mostrou que o trabalho que eu estava desenvolvendo tinha relevância”, explicou Stateri.

O livro “Videogames e arte: discussões sobre paradigmas e complexidades possíveis” entrou em pré-venda em julho e as vendas iniciaram, de fato, em agosto, com o valor de R$ 14,90. A publicação não existe no formato impresso, apenas no digital, mas de acordo com a autora, a intenção é de fazer publicações futuras para o meio físico.

“Temos a intenção de no futuro fazer a publicação de outros livros na área e além da versão digital, também a impressa, porque sentimos que existe um grupo de pessoas que dá preferência para o físico”, explicou Stateri, antes de defender o meio digital. “O acesso ao livro digital é muito mais rápido, instantâneo, com preço mais acessível e isso acaba sendo uma concorrência bem interessante em termos de praticidade”, disse.

Com toda a discussão levantada após o discurso de Marta Suplicy e as pesquisas que já havia feito, Julia Stateri, apoiada pelo Instituto de Artes, Pró-Reitorias de Pesquisa (PRP), Extensão e Assuntos Comunitários (Preac), e a Escola de Extensão da Unicamp (Extecamp), ministrou o curso “A complexidade sensível: Um paralelo sobre videogames e arte”.

Em dois anos, o curso atingiu a marca de 12 mil inscritos e foi acessado em 58 países. “Tivemos um retorno bem interessante mesmo, não só no Brasil, mas ao redor do mundo. Com esse material em mãos, a ideia era que a discussão não ficasse só em ambiente acadêmico, trazer para fora e isso se transformou em livro. Tentei mudar um pouco aquela linguagem acadêmica para algo mais próprio do livro”, explicou.

Mais em: Correio Popular

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