Cultura

Projeto prevê Carlos Gomes como conteúdo

Por: Rogério Verzignasse

Um recital de cantores líricos, no salão de concertos do Conservatório Carlos Gomes, abre às 11h do próximo sábado o mês repleto de eventos artísticos e culturais em homenagem ao maestro, que deixou Campinas para se tornar o principal compositor brasileiro de música clássica da história. Até o final de setembro, as atrações ocupam a agenda de teatros, centros culturais, escolas e órgãos públicos.

Haverá missas, concertos, simpósios, shows, homenagens. O Mês Carlos Gomes vai contar com a presença de solistas respeitados e até de orquestras sinfônicas de outras cidades, que vão apresentar em Campinas as canções e as árias do gênio. Neste ano, no entanto, a programação comemorativa é apenas umas das ações que prometem marcar a memória do maestro. Unidas, as secretarias municipais de Educação e Cultura pretendem dar o pontapé inicial em um projeto muito maior: o de transformar o compositor em assunto obrigatório do currículo escolar das unidades municipais.

A ideia cresce desde 2013, quando o poder público transformou o compositor em tema esporádico de palestras, apresentações culturais e concursos de redação. Agora, ao contrário, pela primeira vez, se prevê a produção de material didático para todo o ano letivo, contando a história do maestro.

“A gente sonha, sim, que as crianças aprendam desde cedo quem foi Carlos Gomes e qual a importância dele para a música”, afirma o secretário municipal de Cultura, Ney Carrasco. “Uma carreira que precisa estar no currículo de ensino, não pode ser limitada a eventos comemorativos.”

Rosângela Figueiredo, assessora de Educação que integra a comissão organizadora da programação, explica que o primeiro passo do projeto curricular é atrair a atenção da garotada por meio da linguagem artística imediatamente assimilada pelos mais jovens.

Um festival de hip hop no palco do Teatro Castro Mendes, por exemplo, vai ter trechos das principais óperas do maestro. Além disso, 44 escolas municipais vão sediar palestras musicadas sobre a obra do compositor, com direito a apresentações líricas. Em seguida, vem a parte mais desafiadora do projeto: envolver os professores de cada unidade. “Pretendemos fazer com que as crianças se interessem pelo compositor, se orgulhem dele. E as mestras precisam estar preparadas, interessadas, disponíveis para a causa”, pontua Rosângela.

Gênio do mundo

Para Sérgio Caponi, presidente da Academia Campineira de Letras e Artes, presente ao lançamento oficial do programa, o campineiro não deve apenas prestar reverência ao maestro, mas tomar consciência de quem ele foi. “No século 19, os críticos musicais da Europa comparavam a obra de Carlos Gomes a de sumidades como Richard Wagner e Giuseppe Verdi. Campinas deve ao compositor o reconhecimento que ele sempre mereceu”, disse.

Para Alcides Acosta, presidente do Centro de Ciências, Letras e Artes (CCLA), a organização do mês festivo, a partir de agora, também tem o propósito de divulgar as obras do compositor. “O objeto é que as pessoas ouçam Carlos Gomes”, resume.

O Mês Carlos Gomes avança no tema. Orquestras de Americana e da Capital têm concertos no Castro Mendes, com as obras exclusivas do Tônico.

Imagem: Divulgação – Cedoc/RAC – Busto do ilustre campineiro que foi comparado a Wagner e Verdi.

Mais em: Correio Popular

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