Pesquisa

Professor da UNICAMP integra projeto da NASA

Por: Rogério Verzignasse

Cearense de nascimento, campineiro por adoção. Funcionário concursado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e um dos poucos brasileiros que integram um seleto grupo de pesquisadores que, no mundo todo, se dedica ao estudo do clima espacial e dos fenômenos solares.

André Gradvohl, de 45 anos, professor de computação na Faculdade de Tecnologia, se envolveu com o tema há cinco anos, durante a orientação de uma tese sobre astronomia e imagens astronômicas.

Os contatos com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) o fizeram se aprofundar no tema, e conhecer o ambicioso projeto da Agência Espacial Americana (Nasa), que em agosto lançou no espaço a sonda Solar Parker, para colher informações sobre a série temporal de explosões solares.

Pouca gente se dá conta disso, mas as explosões ejetam partículas que são capazes de danificar satélites, distorcer sinais de GPS, comprometer as telecomunicações e sistemas de transmissão de energia. Os fenômenos solares também colocam em risco a saúde de astronautas que trabalham em estações espaciais, por exemplo.

A sonda, explica, que hoje passa por Vênus, até novembro vai estar a 6,16 milhões de quilômetros do sol. E, daquele ponto, o equipamento vai circundar a estrela por sete vezes, até ser tragado pela gravidade solar e desaparecer. Ah, claro, para os leigos pode parecer uma distância gigantesca. Mas nunca uma sonda chegou tão perto do astro-rei.

As informações captadas pela sonda vão permitir que os cientistas tenham uma base de dados para a previsão, com antecedência maior, de todos os fenômenos solares e seus efeitos. Dessa forma, cada setor afetado pelas partículas pode adotar ações preventivas e evitar incidentes e prejuízos.

A Solar Parker, explica o professor, tem o porte aproximado de um Fusca. São 3 metros de altura, 2,3 metros de diâmetro e 685kg. É uma sonda protegida por um escudo físico de carbono, que evita que os sensores internos derretam com a aproximação da estrela.

Os algorítimos de previsão vão gerar subsídios para as próprias aulas ministradas pelo professor, que leciona computação de alto desempenho na pós-graduação da Unicamp. E também vão alimentar os textos científicos que Gradvohl publica no IEEE, uma organização internacional de cientistas de ponta. “Nosso objetivo é ajudar a compreensão da física solar”, afirma. “Poderemos entender os fenômenos físicos que antecedem as explosões solares.”

Além dele, o projeto arregimenta pesquisadores brasileiros em outros polos educativos de excelência, como a Mackenzie e Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Instituto é dedicado a avanços tecnológicos

O Instituto de Engenheiros, Eletricistas e Eletrônicos (IEEE), do qual faz parte o professor André Gradvohl, é a maior organização mundial técnico-profissional dedicada a avanços tecnológicos para benefício da humanidade. Por meio das suas publicações altamente citadas, conferências, padrões de tecnologia e atividades profissionais e educacionais, o instituto reúne a nata dos pesquisadores do mundo em uma gama variada de assuntos. Mais informações sobre o instituo estão disponíveis no site http://www.ieee.org.

 

PERFIL

André Gradvohl, natural de Fortaleza, é neto de imigrante francês que se radicou no Nordeste. De lá, mocinho ainda, se mudou para o Estado de São Paulo para estudar. Veio para Campinas em 2003, quando passou em um concurso público e se tornou analista de sistemas na Unicamp. Em 2010, ele foi selecionado para ser professor no campus de Limeira. Ele tem alunos nas turmas de graduação e pós da Faculdade de Tecnologia. Quando se mudou para Campinas, aliás, ele conheceu a atual mulher. E não pretende sair daqui.

Imagem: Divulgação – Nasa – Imagem de explosão no Sol capturada pelo Observatório de Dinâmica Solar da Nasa, em fevereiro de 2015.

Mais em: Correio Popular

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