Patrimônio

Mosaico português: tradicional e moderno

Por: Rogério Verzignasse

O mosaico português está por toda parte. É tão presente na paisagem urbana que, quase sempre, ele nem é percebido pelo cidadão. O revestimento é usado na pavimentação de passeios públicos, praças e largos. Além de permitir que o calceteiro seja um artista, compondo desenhos e combinações, este tipo de calçada também tem funções ecológicas importantes. É permeável. Possui o escoamento da água pelo vão entre as pedras.

Criado em Portugal, o estilo de espalhou pelos países lusófonos. O calcetamento é feito com pedras em formato de cubo, geralmente em calcário, comumente encontrado nas cores preto, branco, castanho e vermelho. As cores distintas são usadas para a produção dos desenhos na calçada.

Há calceteiros que fazem as pedras a partir do basalto, muito mais rijo. Seja qual for a matéria-prima, o mosaico português virou uma febre no passado por uma razão bem simples: o calceteiro de diverte com as intermináveis combinações. A calçada da Praia de Copacabana, no Rio, com o desenho que simboliza as ondas do mar, virou um símbolo do estilo.

Marca registrada

No Brasil, muitos municípios costumavam adotar um mosaico único para todas as suas calçadas. Aqui mesmo pelo Interior: um desenho específico serve para identificar um município. Exatamente como aconteceu em Campinas.

A maioria das calçadas portuguesas traz o desenho de andorinhas, honrando o título de “Cidade das Andorinhas”, alcunha dada por Rui Barbosa lá em 1914, quando ekle visitou a cidade e se encantou com os voos rasantes da ave ali pela região do antigo Mercado de Hortaliças. Que aliás depois foi batizado como Largo das Andorinhas.

Até 1999, para se ter uma ideia de como o mosaico era importante, uma lei municipal obrigava o mesmo desenho nas calçadas. Havia raras exceções como a Escola de Cadetes, autorizada a usar desenhos com motivos militares em seus pisos.

Mudanças

O secretário de Serviços Públicos de Campinas Ernesto Dimas Paulella lembra que alguns locais de Campinas, como a Praça Carlos Gomes, ainda preservam o mosaico original, de 120 anos atrás.

“Eu acho que isso embeleza a cidade. A lei caiu por uma pressão muito grande dos arquitetos que, em função dos novos projetos de edificações, queriam ter liberdade de criação de novos modelos de calçada. Mas, mesmo assim, o mosaico português continua presente em pelo menos um terço das calçadas da cidade” , diz.

Atualmente, segundo o secretário, calçamentos mais modernos, como o piso intertravado (o mesmo do entorno da Lagoa do Taquaral, por exemplo), têm “invadido” os espaços que antes eram dominados pelo mosaico português.

Ambiente l

Paulella conta que ainda prefere as calçadas tradicionais, com mosaicos portugueses, e não só pelo saudosismo: “O mosaico tem uma vantagem ambiental muito importante. Como o formato dele é irregular, existem as fissuras. A água penetra, chega ao solo, e contribui para evitar enchentes”, diz.

Imagem: Leandro Ferreira/AAN – A sombra da histórica Torre do Castelo projetada sobre o mosaico português na praça: estilo de calcetamento preserva o bom gosto e permite combinações criativas nos desenhos.

Mais em: Correio Popular

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