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A morte como encantamento - Antonio Mourão Cavalcante
“Tornar-me imortal e depois, morrer...” respondia o personagem de Godard, apressado, ao descer do avião, para receber o grande prêmio literário... Por aqui, o velho provérbio árabe é repetido à exaustão: “Antes de morrer, você precisa plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho.” Por que o ser humano se deseja eterno? Por que a dificuldade de se crer mortal? Os rituais são as lembranças necessárias ao luto. Quando alguém morre, vai-se um pedaço de cada de todos. “Não gostaria de estar viva no ano 2000. Não seria mais o meu mundo”, assim falou Simone de Beauvoir, recusando a necessidade de estar presente.Como se inaugurar na contingência da mortalidade? “Depois que morremos, não somos mais mortais” diz Guimarães Rosa pela boca de um dos seus personagens. E, por ironia, Rosa morre logo após tornar-se imortal da Academia. É bom que a morte seja encantamento.
Veja a íntegra da palestra.
O Café Filosófico CPFL vai ao ar na TV Cultura às 23h30, excepcionalmente, por conta da programação especial "Cultura em Campos", referente à cobertura do Festival de Inverno de Campos do Jordão.
Data:
25/07/2010
Hora:
23:30
A morte como acontecimento - Daniel Lins
Fazer da morte um acontecimento, isto é, um belo movimento de vida, evitando assim que não se transforme a vida em um canto de morte, eis o que torna cada um experimentador não da eternidade, mas da invenção cotidiana da própria vida. Inventar a vida, em todos os instantes, não é nossa “santa vingança” contra a morte, embora sabendo, como os grandes artistas, que só os organismos morrem? A arte não é algo que resiste a morte, tornando-a acontecimento? A morte, pois, como reinvenção dos sentidos, ali onde tudo parecer padecer. O artista, o pintor, sobremodo o barroco, ao representar um morto ou a morte com imagens não são mais terrestres, não mais humanizadas, não associa a morte a certa forma de sedução ou de erotismo, à maneira do cinema contemporâneo japonês? A morte como acontecimento, ao ultrapassar as fronteiras do Ocidente, não encontra no luto do “Outro” um limiar de vida, um puro acontecimento?
Palestra com Daniel Lins gravada no dia 5 de novembro de 2008.
Assista à íntegra da palestra.
O Café Filosófico CPFL vai ao ar na TV Cultura às 23h30, excepcionalmente, por conta da programação especial "Cultura em Campos", referente à cobertura do Festival de Inverno de Campos do Jordão.
Data:
01/08/2010
Hora:
23:30
Fonte: www.cpflcultura.com.br |