Acessibilidade

CAMPINAS: Cambuí impõe desafio a cadeirante

Por: Beatriz Maineti/Especial para a AAN

A falta de rampas de acessibilidade nas calçadas do bairro Cambuí tem prejudicado as pessoas com deficiência (PcD) que precisam ir ao trabalho ou chegar e sair de suas casas. Nas imediações da Rua Capitão Francisco de Paula, há apenas uma esquina que conta com rampas para cadeirantes. A situação expõe um contrassenso: num bairro de comércio intenso, que é referência urbana por conta de sua vocação para o lazer e o entretenimento, a preocupação com a acessibilidade é praticamente nula.

A reportagem da Agência Anhanguera (AAN) esteve no bairro, e constatou que a falta de rampas afeta, também, a entrada de cadeirantes nas praças públicas localizadas próximas à Francisco de Paula. Apenas uma delas possui o acesso. Fora isso, a rua por onde os cadeirantes são obrigados a passar conta com movimento intenso, além de estacionamento de veículos nos dois lados da via.

A presença de rampas que garantam o acesso de pessoas com deficiência é regulamentada por lei, assim como a presença do Símbolo Internacional de Acesso em todos os lugares que permitam o ingresso da PcD.

De acordo com a Lei nº 7.405, de 12 de novembro de 1985, as rampas de acessibilidade em vias públicas, demarcadas pelas guias rebaixadas, são obrigatórias. Entretanto, muitas ruas ainda não possuem isso. Há quem considere um privilégio, mas para os cadeirantes é a garantia do seu direito de ir e vir.

É dever público assegurar a presença das guias rebaixadas, além da presença de outros serviços adaptados, como rampas de acesso a prédios, bebedouros e orelhões modificados. Muitos deficientes brigam por seus direitos, já garantidos por lei, há muito tempo.

No caso da localização específica da Rua Capitão Francisco de Paula, há guias rebaixadas apenas no cruzamento com a Rua Ana Jarvis, onde as quatro esquinas possuem o acesso, conforme constatou a reportagem.

Com a falta de acessibilidade, Leandro Menna, designer de 32 anos, precisa dirigir sua cadeira de rodas por entre os carros durante seu horário de almoço. Ele sai de casa todas as manhãs em direção a um prédio comercial localizado na Rua Francisco de Paula, onde trabalha há dois anos, e sofre com seu horário de almoço. “Como não existem rampas, tenho que passar pela rua movimentada, e isso só aumenta o perigo”, afirma.

Menna reclama, especificamente, da esquina da Rua Capitão Francisco de Paula com a Emílio Ribas, por onde passa todos os dias, e não tem condições seguras de transitar pelo local. “Meu horário de almoço é o mesmo que de todo mundo, entre 12h e 12h30. Justamente por isso passar com a cadeira pela rua se torna um desafio ainda maior”, comentou o designer.

Segundo o designer, aquele local do bairro ainda conta com uma feira de rua, o que daria, ainda, mais uma utilidade para as guias rebaixadas. “Elas ajudariam muito as pessoas que passam por ali com carrinhos cheios de compras”, afirmou Menna. O designer informou ainda que chegou a fazer uma solicitação junto à Prefeitura há cerca de um mês, mas não houve resposta.

“É uma sensação de não poder estar em algum lugar. Você não pode transitar por uma via pública, um lugar por onde você paga imposto. E paga caro, ainda. Para mim, parece que eu estou rasgando dinheiro”, comentou Leandro Menna.

Prefeitura

Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Campinas informou, em nota, que a Secretaria Municipal de Assistência Social, Pessoa com Deficiência e Direitos Humanos acionará a Emdec para que um estudo sobre a instalação de rampa de acessibilidade no local seja feito. Em relação às calçadas danificadas, a Coordenadoria de Fiscalização fará uma vistoria, e notificará os proprietários a fazerem os reparos necessários. A Prefeitura ainda destaca que demais solicitações de melhorias podem ser feitas através do telefone 156 ou pelo aplicativo da Colab, voltado para as solicitações dos cidadãos. A nota oficial afirma ainda que, desde 2013, todas as novas obras da cidade, de prédios públicos ou pavimentação de bairros, são feitas com acessibilidade, facilitando o trânsito de pessoas com dificuldade de locomoção, de pais com carrinhos de bebê, entre outros.

Imagem: Leandro Ferreira/AAN – Cadeirante mostra as calçadas sem rebaixamento do Cambuí.

Mais em: Correio Popular

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